13 Reasons Why e a glamourização do suicídio

Séries
Sobre “13 Reasons Why” ou “Os treze porquês”

Sílvia Ivancko, psicóloga e psicoterapeuta do Instituto de Cancerologia de São Paulo, disse que a depressão é o mal do século XXI. Na nova produção da Netflix baseada em livros de Jay Asher, o transtorno e o suicídio são os principais temas que cercam a personagem Hannah. A protagonista, então, envia fitas para treze pessoas explicando a decisão de acabar com a própria vida. A série, apesar de ter sido muito divulgada e assistida, é tema de muitas críticas e um aviso de gatilho claro às pessoas que sofrem com a depressão ou que, em algum momento, já pensaram em cometer suicídio.

Assisti ao primeiro episódio da única temporada disponível e foi o suficiente para que eu desistisse de ver qualquer outra coisa relacionada àquilo. Mesmo nos primeiros instantes da série, a romantização da questão do suicídio é clara. Por justamente não ter assistido tudo e não ter tido a coragem de continuar por motivos evidentes, eu resolvi buscar um pouco mais e falar com pessoas que foram até o final da história. Todas elas pontuaram o mesmo: o suicídio, na série, tem uma abordagem inadequada e altamente perigosa.

O efeito Werther, por exemplo, é o termo que defende que a publicidade exacerbada sobre algo (nesse caso “13 Reasons Why”) pode estimular acontecimentos iguais àqueles divulgados. O psiquiatra que alertou sobre essa definição fez treze parágrafos que têm a função de elencar os fatores de risco a abordagem complicada do programa, além de sua influência sobre as pessoas mais novas. Essa é apenas uma consequência da repercussão dada à série, mas existem muitas outras (e piores).

Cada um é dono do próprio nariz e o indivíduo tem a liberdade de escolher o que faz e deixa de fazer com sua própria vida. Apesar disso, quando se vive no mundo da depressão ou de outros distúrbios mentais, a influência de um mundo glamourizado que retrata uma situação que condiz com a realidade do indivíduo é enorme. Por conta disso, a série, na minha opinião, é uma manifestação totalmente inadequada, um romance criado a partir de um problema sério que merece muito mais atenção, mas não dessa forma.

O Centro de Valorização a Vida está sempre disponível através de linhas telefônicas (é só ligar para o número 188), via Skype ou chat. É importante destacar esses mecanismos que ajudam a evitar incidentes como a de Hannah, mas principalmente, é imprescindível dizer que não tem glamour em querer acabar com a própria vida, ao contrário do que a mensagem passa.

Texto escrito pela leitora Joana Binda (twitter e instagram).

Sabine D'Alincourt
POR Sabine D'Alincourt

Futura publicitária de 22 anos. Seu melhor dia foi no show do Green Day e seu objeto preferido é o seu CD do Cobra Starship. Apaixonada por música, moda e fotografia, ainda sonha em morar em New York.