Girls like us are hardly ever wanted

Música

…I can’t change. Even if I tried, even if I wanted to. Você provavelmente se lembra de “Same Love”, o primeiro sigle emocionante do Macklemore & Ryan Lewis a fazer sucesso. O hit, que fala sobre homossexualidade e preconceito, ganhou o refrão da música “She Keeps Me Warm”, da Mary Lambert. E é neste momento que a nossa história começa. Afinal, quem é essa artista?

A primeira coisa que você precisa saber é que a sua parceria com o duo foi só a ponta do iceberg de toda a sua luta contra a homofobia dentro do universo da música. Se não bastasse, ela ainda traz temas como gordofobia e padrões de beleza para os seus trabalhos, ajudando milhares de pessoas ao redor do mundo.

Venho aqui hoje para mostrar um pouco do País das Maravilhas de Mary Lambert! Clique nos títulos para assistir aos clipes e aproveite o espetáculo.

#1 -My body is home

Um grito, um sussurro, um poema. “Body Love (Part 1 & 2)” retrata da forma mais clara e crua a dor de meninas que diariamente tentam se encaixar nos padrões de beleza exigidos pela sociedade. De forma sutil, Lambert relembra o assédio sexual que sofreu pelo seu próprio pai na infância e dá espaço à outros traumas do seu passado – o exagero nas drogas e álcool, um estupro coletivo que sofreu aos 17 anos, tentativas de suicídio. O título do nosso post, “garotas como nós são dificilmente desejadas”, é apenas um dos diversos desabafos presentes na canção. No fim, o consolo:

Você vale mais do que com quem você f*de. Você vale mais do que um corte no pulso. Você vale mais do que qualquer corpo nu. Mais do que o desempenho de um homem ou um erro do seu pai.

#2 – I can’t think straight, I’m so gay

 

Bem humorada, a artista fala sobre como ficamos o tempo todo tentando ser outra pessoa e escondendo os nossos defeitos. Em “Secrets”, ela fala sobre seus distúrbios bipolares, sua sexualidade, seus problemas e muito mais, e comemora: “Eu não ligo se o mundo sabe quais são os meus segredos”.

Às vezes eu choro o dia todo. Eu me importo demais. Uso um relógio analógico. Nunca sei quando parar. Eu sou passiva-agressiva. Tenho medo do escuro e do dentista. Eu amo a minha bunda.

#3 – How did I miss you when I didn’t know you?

Ela não se contenta! Além de te levar às lágrimas e às gargalhadas em apenas alguns minutos, agora ela te fará suspirar. Com “When You Sleep”, você sentirá como se estivesse se apaixonando pela primeira vez. No clipe, frases da música se espalham em diferentes corpos: “Eu poderia te fazer feliz, poderia te fazer me amar. Eu poderia desaparecer completamente. Poderia ser sua canção de amor”.

Eu juro que te vi em um sonho, toda vestida de branco e com um largo sorriso. Você educadamente pediu para dar um passeio comigo e eu me casei com você debaixo das árvores.

#4 – Love is patient, love is kind

Finalmente! Parte do refrão de “Same Love” (e versão estendida “She Keeps Me Warm”), o single retrata os sentimentos de Lambert ao ser criada em uma família cristã sendo lésbica. Ao cantar repetidamente “Eu não estou mais chorando aos domingos”, ela se refere a como se sentiu ao deixar de frequentar cultos religiosos. No clipe, inclusive, ela se apaixona por uma garçonete de uma cafeteria e as duas formam o casal mais fofo.

Ela disse que eu cheiro a segurança e lar. Eu nomeei seus dois olhos “para sempre” e “por favor, não vá embora”. Eu poderia ser o seu nascer do Sol a todo instante.

Ela não é incrível? Além de tudo isso, ela ainda escreveu um livro para concretizar o seu legado. “500 Dicas Para Garotas Gordas” reúne todas as suas histórias e constrói um diálogo pra lá de íntimo com o leitor.

Leticia Akemi
POR Leticia Akemi

São Paulo. 19 anos. Jornalismo. Louca por arte, tatuagens, ocultismo e sorvete de chiclete. Odeia manhãs. Fala sozinha com uma câmera e procura na internet um jeito de deixar esse mundo mais colorido.