O dia em que fui sozinha a um festival de música

Comportamento

Tom Jobim disse que é impossível ser feliz sozinho. Acho que de tanto essa frase ser repetida a gente acaba acreditando nisso. E pensei sobre isso por muitos anos da minha vida.

Querendo ou não, a gente acaba ficando dependente das pessoas e passa a de fato acreditar que não dá para viver sem elas, então 24 horas por dia a gente tem a necessidade de ter alguém para compartilhar nossas alegrias e tristezas, nos acostumamos tanto que criamos certa dependência disso.

Tenho passado minha vida toda sendo uma pessoa introvertida e acreditem, é um pouco desafiador ser introvertido num mundo feito para pessoas extrovertidas. Sempre me deparo com aquele olhar surpreso quando alguém olha para mim quando respondo positivamente a pergunta “Mas você gosta de ficar sozinha?”.

Não é que eu rejeite a presença de outras pessoas, é só que não me importo de passar um tempo comigo mesma. Gosto de estar com as pessoas, por favor, não me entendam mal, mas também gosto de ficar sozinha.

Recentemente fui em um festival de música. Sozinha.

Sim, eu e minha mochila.

O que aconteceu foi que eu queria ir e comprei o ingresso. Não combinei com ninguém antes, pensei “se eu achar companhia, muito que bem” e bem, chegou o dia e nada.

Eu já havia ido às edições anteriores com amigos, então não seria a pior coisa do mundo e muito menos um bicho de sete cabeças, só seria solitário e eu podia muito bem lidar com isso.

No caminho para o festival, muita coisa se passou pela minha cabeça, confesso que fiquei insegura diversas vezes: “será que vou me divertir?”, “e se algo acontecer?”, “espero não passar mal”.

No decorrer do dia, fui ficando mais tranquila.

Eu podia ir aonde quisesse, podia apenas sentar e ficar observando as pessoas, não sentia a obrigação de agradar quem estivesse comigo e assim, deixar de fazer o que me dava vontade e vice-versa; se algo não estava bom, podia escolher não ficar mais ali e ir a outro lugar. Tirei o dia para me fazer feliz e fui. Muito.

E vi que não era a única pessoa que foi sozinha a um festival de música, haviam muitas pessoas na mesma situação que eu. E todas pareciam felizes.

Com isso percebi que não devemos deixar de fazer algo que nos faz bem. Estar com as pessoas é bom, mas isso não significa que não podemos ficar sem elas. Fazer algo que te faz bem sozinho é melhor do que não fazer. É bom tirar um tempo para se conhecer, nem que seja indo sozinho a um festival de música, ou qualquer outra coisa. Temos que aprender a se curtir e explorar as coisas por nós mesmos. Se permitir.

A melhor parte de tudo isso, é ter com quem compartilhar essa experiência depois.

Marina Demori
POR Marina Demori

Marina, 22 anos, tradutora, kpopper, acredita que veio ao mundo pra fazer algo incrível (nem que seja através de uma tela), queria ser uma sereia, gosta da cor azul e de gatos, admite ser estranha e odeia referir-se a si mesma em 3ª pessoa.