Nem tudo é à base de tijolada

Comportamento

Eu estou habituada a ser uma pessoa feliz e com a mania de fazer todos ao meu redor mais felizes. Alegria é uma das coisas que é bom de contagiar as pessoas com. Mas ultimamente eu venho me sentindo um fracasso, eu não sei como fazer as pessoas ficarem felizes através de coisinhas simples da vida, por um motivo bem comum: eu não estou feliz.

Contudo o motivo é bem simples: as pessoas não são automáticas. Você não pode forçar as pessoas a sentirem coisas como se fosse um conto de fadas, porque por mais que sejam desejados, contos de fadas não existem. Cada pessoa tem seu tempo e esse tempo é uma coisa importante de ser respeitada; nem com a Bela e a Fera isso aconteceu, demorou um tempo para que a Bela pudesse gostar de um jeito diferente da Fera, até identificar uma coisinha a mais sobre ele. É assim que as coisas funcionam.

Você não vai bater o olho em alguém e dizer ‘nossa, 100% que você é o amor da minha vida atualmente’ e realmente sentir isso; it takes time. Mas eu sou uma pessoa que não sabe esperar e isso é algo completamente angustiante. Por mais que eu tenha rido de todas músicas da Manu Gavassi na minha vida, foi como esfregar a cara no asfalto quando percebi que os versos de Planos Impossíveis poderiam descrever meus sentimentos. É bobo, né, essas coisinhas da gente: uma hora a gente tá rindo daquela música clichê do Sam Smith, ele falando que não é bom com one-night-stand, e na outra hora a gente tá sentada na cama vendo Bridget Jones, comendo um ovinho da páscoa, enrolada no cobertor e pensando “nossa, ele só visualizou minha mensagem, será esse o fim do mundo? Será que o meu futuro é ser a Bridget?”.

O Diário de Bridget Jones

O Diário de Bridget Jones

Amigas, a vida dá voltas. Eu comecei esse texto sofrida, eram 22h do domingo de páscoa, agora já se passaram 40min, um álbum quase todo do The 1975 e eu estou rindo. Por quê? Porque a vida é uma piada sem graça e que faz você querer rir e ao mesmo tempo enfiar sua cara numa lixeira, é um sentimento bem comum na minha vida, visto que eu sou conhecida pela minha coletânea de piadas sem graça, qualquer dia conto uma aqui. Mas a coisa é essa, a gente tem nosso tempo, demoramos sentir coisas, mas às vezes a gente acorda e parece que um tijolo atingiu nossa cabeça e esse tijolo poderia ser chamado de amor, porque você se apaixonou.

Eu fiz uma playlist de pagode um dia desses, ela contém umas músicas tristes, mas como é pagode tudo parece mais divertido, tipo, pagode não é exatamente meu gênero, só que dessa vez ele capturou meu coração com umas canções que tem umas letras fortes, tipo:

Passei a minha vida a procurar alguém que eu pudesse entregar a chave para abrir meu coração; tirar de vez do peito a solidão

Esse trecho, ele consegue mostrar de uma forma bem clara, o jeito moderno das pessoas, você tá lá, quieto, no seu canto e chega a bad de supetão fazendo você começar a cantar Exaltasamba e fazer textos melosos e ao mesmo numa tentativa de serem engraçados.

Como já disse a Vanessa da Mata: é só isso, não tem mais jeito, acabou. Eu vou continuar pensando em métodos de fazer as pessoas terem sentimentos legais e dar um tempo, pensando em desculpas para puxar papo, conquistando-as com um jeitinho um tanto perturbador, mas é assim que funciona. Com os nossos erros a gente vai aprendendo e tendo calma, ou ao menos é o que dizem que acontece. O resto é história.

Cecília Souza
POR Cecília Souza

Gosta de música, menta, silêncio e pintar usando cores inusitadas.

  • Paloma

    Adorei. E adorei a playlist também.