Já sei o que é feminismo, e agora?

Comportamento

Nos dias de hoje, feminismo tornou-se um assunto bastante debatido. Seja na mídia, nos colégios, nas faculdades ou nas redes sociais, o movimento está lá. Muitos apoiam, muitos são contra. Eu aprendi sobre o assunto e, então, resolvi apoiar. Mas o que eu posso fazer no dia-a-dia para, de fato, colaborar com o feminismo?

É comum que os textos a respeito do assunto sejam repletos de palavras difíceis e teorias das quais nós, meras mulheres e meninas atrás dos nossos direitos, não somos obrigadas a saber para que possamos contribuir. Por isso, aqui está uma pequena listinha com dicas bem úteis para que todas possam, com atitudes simples e acessíveis, colaborar com esse movimento:

1- Entenda que os homens nada têm a ver com o feminismo

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Esse é um movimento feito por mulheres para mulheres, e, portanto, os homens aqui têm um papel insignificante, quase nulo: ao homem basta entender o movimento, ser a favor, aceitar os privilégios que se têm e, então, começar a desconstruir atitudes machistas e misóginas. Por isso, procure entender que este é um momento nosso e, assim, focar o máximo possível nas mulheres.

2- Mulheres não são nossas inimigas

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O patriarcado e a mídia insistem em afirmar o contrário e, dessa forma, incentivam a competição e inimizade entre nós, de uma maneira que acaba nos separando e, também, tirando o foco do que realmente importa. Assim, é sempre válido relembrar que todas estamos no mesmo barco e precisamos umas das outras para vencer essa luta. Por isso, toda vez que você tiver vontade de xingar uma mulher ou até mesmo de apenas se afastar por um boato ou coisa do tipo, repense o motivo causador dessa discórdia. Afinal, numa sociedade tão machista quanto a nossa, tem enorme chance de ser apenas mais uma peça do patriarcado contra nós, né?

3- Apoie as manas

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A mulher precisa gritar muito mais alto para atingir a mesma visibilidade e respeito que um homem recebe ao abrir a boca. Portanto, nada mais justo da nossa parte do que fortalecer outras mulheres. Seja comprando mais CDs de cantoras e artistas femininas, vendo mais filmes protagonizados, escritos ou dirigidos por mulheres, dando preferência às arquitetas, fotógrafas, engenheiras, médicas, cozinheiras e tudo o que vier de uma mulher, por mais simples que essa ação possa parecer. Assim você ajuda a diminuir o preconceito que se têm, valoriza o trabalho de uma mina e ainda tem a capacidade de empoderá-la financeiramente.

4- Tenha empatia por todas as mulheres, por mais distantes que elas estejam do movimento feminista

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É fácil ter empatia com alguém que compactua das mesmas opiniões que as suas e que também está ali, lutando pelas mesmas coisas, não é mesmo? Mas quando é a tia da limpeza do shopping, a nossa avó, a prima de oito anos ou a senhorinha do ônibus, torna-se realmente mais difícil levar até elas o discurso feminista que propagamos com tanta facilidade dentro do movimento. As vezes o que dizem é problemático, as vezes é difícil olhar para essas mulheres e compreendê-las com a mesma facilidade com a qual entendemos e apoiamos nossas amigas e companheiras de luta. Mas a questão é que elas também são mulheres e sofrem exatamente as mesmas pressões do patriarcado que nós sofremos e, em muitas vezes, de uma forma muito mais pesada. Então, quando tiver oportunidade, empodere-as, dê atenção e reforce sempre que possível o quão capazes elas são. Pode parecer pouca coisa, mas garanto que não é!

5- Comece combatendo o machismo que existe dentro da sua casa

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Divida as tarefas com a sua mãe e incentive todos da sua casa, principalmente os homens (caso haja), a fazerem o mesmo. Só ajudar não vale, tem que ser bem dividido! Comeu? Lavou! Sujou? Limpou! Tirou? Guardou! Discursos machistas, sexismo em relação às cores do quarto do seu irmão mais novo e coisas do tipo também devem ser discutidos e desconstruídos sempre que possível.

6- NUNCA brigue com alguma mulher por causa de homem!

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Não vale a pena. Simplesmente não vale. Primeiramente saiba que tem grandes chances de vocês duas estarem sendo manipuladas por ele e, em segunda instância, homem não vale tanto assim, ok? Existem vários por aí e, se o cara deu bola para outra, não tem motivo para arrumar intriga com a menina com quem ele se envolveu. A culpa não é da mulher nesse caso, pois quem tem compromisso contigo é o cara. E o mesmo vale para a situação contrária, viu? Se um homem que namora está dando em cima de você, se coloque no lugar da respectiva namorada. Afinal, nem vale a pena se meter numa confusão por um homem que já começa a relação com o pé esquerdo.

7- Não deixe que ninguém tire sua ‘carteirinha de feminista’ e também não tire a de nenhuma mulher

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Você não é menos feminista por não saber teoria, ok? E vertentes existem no movimento e todas têm direito de ter opiniões diferentes, por mais incoerente que possa parecer em determinados casos. Se uma mina disse algo problemático, ajude-a a reparar seu erro ao invés de apontar o dedo e julgá-la. Esse já é o papel dos homens na sociedade, não precisamos reforçá-lo. Evite ao máximo intrigas dentro do movimento. Discussões são válidas e necessárias, mas precisamos aprender qual é o limite entre uma discussão saudável e um julgamento desnecessário.

8- Como lidar com machismo na arte e no entretenimento?

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A mídia é um local muito amplo no qual muitas pessoas têm acesso e é bem difícil achar material politicamente correto (quando achamos devemos dar muita força!), então não somos obrigadas a nos deter apenas no que é certo em relação a isso. Podemos sim assistir filmes e séries que reproduzem machismo, bem como ocorre no meio musical. A mídia muitas vezes reproduz a realidade (mesmo que de forma errônea e estereotipada) e o mais importante, de fato, não é boicotar um material por conter machismo, ainda que o mesmo tenha um enredo legal e que te agrada. O importante é saber ser crítico, perceber o erro e não incorporá-lo à sua forma de pensar e agir. Ah, e contextualizar também é preciso! Sempre!

9- Respeite o local de fala das manas!

Quem pode apontar machismo é mulher. Quem pode apontar racismo é mina negra. Quem pode apontar gordofobia é mina gorda (não é uma palavra ruim!). Quem pode apontar lesbofobia é mina lésbica e por aí vai. Isso é importantíssimo para dar voz a quem é estrutural e socialmente oprimido! Então pense duas vezes antes de falar para não desrespeitar o espaço de fala das minas!

10- Sejamos unidas!

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Juntas sempre somos mais fortes. Essa é a mensagem principal do feminismo!

 

Sofia Paschoal
POR Sofia Paschoal

18 anos, cursa o último ano do ensino médio, fotógrafa desde os treze, apaixonada por tudo que envolve arte, futura jornalista e chata oficial do rolê

  • Susany Oliveira

    Adorei as dicas, sempre bom aprender e entender cada vez mais sobre o feminismo