Gorda não é palavrão

Comportamento

Sempre que alguém apontou pra mim e disse “gorda”, todo mundo riu baixinho, ficou constrangido ou simplesmente brigou com o “delator” como se ele estivesse dizendo algo profano e horrível – manchando minha imagem com algo feio, e então, eu cresci achando que que ser gorda era uma aquilo de pior que eu poderia ser. Mas não é.

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Demorou, levou muita tristeza, vergonha e um tanto de tempo escondida mas eu aprendi, e aqui está o negócio: a palavra gorda, sozinha, não é uma ofensa e ser gorda não é uma afronta à sociedade. As palavras podem ser de cunho negativo ou positivo, apenas dependendo da carga que damos pra ela.

Aí vai uma dica da Monick Gil: você pode substituir fofinha, grandinha, fortinha, e todas outras palavrinhas por gorda, por exemplo. Simples, prático e nada embaraçoso, aliás, por que seria?

Gorda não é xingamento assim como magra não é elogio e não, ninguém é obrigado a agradecer quando fulano diz “Nossaaaa, como você está magérrima” e dizer “magravilhosa” não é algo legal, é gordofobia em forma de palavra. Dói. Como alguém pode ser maravilhoso só de ser magro?

Como assim eu não sou bonita?!

Cécile Dormeau

Nós não precisamos nos sentir ofendidos sempre que vocês, magros, nos chamam de gordos, afinal, é parte daquilo que exteriormente representamos. Os 103kg que a balança marca nem começam a descrever o todo do meu eu e eu espero que seu peso não defina você também – magra ou gorda.

Nós, Monick, Amélia, Carla, Victória ou Julia, com nossas estrias, celulites e marcas, com coxas grossas e barriga com dobras, também temos o sorriso largo, o coração farto e uma gigante vontade de andar entre todos sendo apenas mais um, e não a gorda do outro lado da rua, ou a menina que tem que avisar seu crush antes de encontrá-lo que é gorda para não ser despachada com um olhar de nojo no primeiro encontro.

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Esse post, enfim, é um apelo para que vocês deixem que as palavras sejam palavras, que vocês não usem nossas características como uma ofensa, como algo ruim. Ruim, manas, é pré-julgar os outros pelos seus atributos físicos, é ensinar crianças a terem nojo de seus próprios corpos antes que elas possam compreender o que aquilo significa e se elas gostam ou não. Ruim é esquecer que nós somos complexos, imperfeitos e humanos e não cabe a ninguém encubar tudo isso com uma só palavra. E sim, eu sou gorda e ser gorda também é ser linda.

POR Monick Arruda

Uma mistura de Monique Evans dos anos 90 com Bruce Wayne, uma estudante de Relações Públicas extremamente geminiana de 19 anos. Apaixonada e aterrorizada por mudanças, meu lema é nunca permanecer a mesma mas nunca ser outra pessoa. Entendeu? É, nem eu.

  • Isabela Bueno

    “A menina que tem que avisar seu crush antes de encontrá-lo que é gorda para não ser despachada com um olhar de nojo no primeiro encontro.”
    A menina que é tão linda de rosto.
    Como se o resto do corpo fosse um crime.

    Se eles soubessem como dói….

    • Monick Arruda

      Nossa mana, se eles soubessem que nosso corpo é tão lindo quanto nosso rosto, nosso coração e todo o resto, com certeza as coisas seriam minimamente diferentes. Mas não sabem, ou sabem, mas não lhes interessa.
      Então nós seguimos com nossa luta pra sermos reconhecidas como as mulheres que somos, com o devido valor que temos e eu tenho fé que um dia conseguiremos. Força!